É que tem que ser tudo bem feito e rápido! Tem que ser na hora exata e, por isso, tem que se ter muito cuidado com os horários, as informações e suas fontes; ter muito claro os objetivos e ter em mãos todos os dados que me garantam uma excelente execução de minhas tarefas!É que isto não pode ficar pra depois! Se não chego a tempo, reúno as pessoas, distribuo suas tarefas e as faço compreender a responsabilidade que cabe à cada um… Se não deixo claro a minha parte e a tempo realizadas as atribuições que dependem de mim… Vai que eu esqueço alguma coisa! Tem que ser tudo programado com antecedência, profissionalismo, eficiência, e tem que ter qualidade.
É que eu tenho que sair na frente! Num mundo claramente competitivo, quem se descuida no tempo da largada, chegar mais tarde, que seja um segundo somente, pode significar a perda do elogio, do emprego, da função, do lugar que conquistei, ou do prestígio que a gente ganhou justamente, depois de tanto estudo e tanta grana gasta. Já me disseram que a gente tem que sair na frente de todo mundo e em tudo!
Também já aprendi que tem que ser de modo que todos vejam meu empenho e determinação; que minhas capacidades precisam ser “discretamente” vistas e admiradas; tudo com sincera postura pra que ninguém se veja no direito de pensar (ou descubra!) que estou disposto a desbancar alguém de seu lugar. Tem que ser tudo bem feito!
Meus contatos precisam estar em dia, pois já me disseram que “contatos são tudo!”. Tem que ser assim! Falar com a pessoa certa, de maneira que todos tenham uma experiência muito boa ao trabalharem comigo; que saiam felizes e acrescidas de minhas ponderações com tão assertivas palavras! Tem que agregar valores, ter boa aparência e não desagradar! Melhor que não vejam de fato quem sou!
Pois é…! Foi neste estado de alma que encontrei um grande amigo, explicando-me assim a razão de ter abandonado aspectos essenciais de sua vida e, sofrido, via-se enrolado demais nas teias do “é que tem que”!
Eu, escondendo perplexidade, pus minha barba de molho!
Continuo perguntando: tem que ser assim mesmo?
Ricardo Sá